Em palestra Cairo Santos fala da sua carreira, vida pessoal e curiosidades da NFL

 

Na noite de quarta-feira (2), o kicker do Kansas City Chiefs, Cairo Santos, ministrou uma palestra e levou os fãs de futebol americano um pouco mais próximo da realidade da National Football League (NFL). Cairo contou a sua história no esporte, no college football, os momentos difíceis e elegeu seus melhores momentos na carreira até aqui.

 

Antes mesmo de começar a palestra, Cairo atendeu cada um dos fãs que desejaram tirar fotos e ter o autógrafo do jogador em seus pertences. Foram autografados bonés, bolas e muitas camisas de times da NFL e do Brasil. 

 

No primeiro momento o kicker contou a sua história. Desde o seu nascimento na cidade de Limeira, interior de São Paulo, passando pela mudança para Brasília com apenas 4 anos até a sua chegada aos Estados Unidos, com 15 anos. 

 

Segundo o camisa 5, o intuito da sua ida aos EUA era buscar uma oportunidade na terra do Tio Sam para jogar futebol tradicional. Mas o time da sua escola do ensino médio precisava de um kicker e os amigos de Cairo logo o indicaram para o treinador. Essa foi sua primeira prova de fogo no futebol americano. "Então fiz o teste na escola, apenas eu e o treinador. Chutei a bola por cima da grade da arquibancada e ele gostou. Entrei pro time", lembra.

 

Para aprender como chutar a bola oval e aperfeiçoar o chute, Cairo teve um "professor particular" em Daytona Beach, que lhe deu a base para que ele pudesse continuar a chutar. "Para cada treino eram duas horas de ida e duas horas de volta de carro. Treino com esse professor até hoje", falou Cairo.

 

Após terminar o ensino médio ele teve que finalmente decidir qual futebol praticar. Recebeu várias ofertas de bolsa de estudos, umas para o futebol americano e outras para o futebol. Apenas uma universidade ofereceu tudo o que ele buscava. "Fui para a Toulaine pois era uma universidade de boa reputação acadêmica, estava na primeira divisão e me ofereceu bolsa de 100% para jogar o futebol americano".

 

College

 

Jogando o college, Cairo contou como fez para aparecer e se manter no "radar" da NFL, na esperança de ser draftado. Após uma boa primeira temporada como titular, Cairo teve queda no desempenho após uma lesão na virilha. "Os médicos falaram que eu teria que parar por seis semanas, mas eu não queria. Me poupava durante a semana de treinamento, só chutava na hora do jogo".

 

O terceiro ano foi quando conseguiu fazer o seu nome brilhar. Depois de uma temporada perfeita, Cairo recebeu 3 prêmios individuais, condecorando uma boa sequencia de chutes certeiros durante a temporada. 

 

No quarto e decisivo ano o maior baque na sua vida. A temporada estava apenas no começo quando D. Magali, mãe de Cairo, lhe telefona dizendo que seu pai havia falecido. Em menos de uma semana, Cairo veio ao Brasil para o velório do pai e voltou para os EUA para o jogo do final de semana. "Sei que se ele estivesse vivo queria que eu continuasse jogando". Passou um período difícil, mas a sua confiança voltou depois de um field goal certeiro de 56 jardas.

 

A cada chute certeiro Cairo levanta os dedos ao céu, tornando o gesto uma marca sua e uma homenagem ao seu pai. "Se vocês já viram um jogo meu, já viram que eu sempre aponto para o céu. Eu sei que lá estão meu pai e Deus, que agradeço a todo momento".

 

Draft

 

Aí chegou um momento chave: a transição do college à NFL. Depois de ir bem no combine (sequencia de provas físicas e técnicas que os jogadores candidatos ao draft fazem), chegou a noite dos times escolherem seus jogadores calouros. "O kicker não pode ser muito otimista, pois os times não gastam uma escolha do draft com essa posição. Entrei com a esperança de assinar com um time depois das sete rodadas, e foi isso que aconteceu".

 

Ao final, dois kickers foras selecionados, mas nenhum deles era Cairo Santos. "Assim que o draft acaba os times podem ligar para os jogadores e assinar como 'undrafted'." Tudo ocorreu como planejado e três times procuraram Cairo Santos. Arizona Cardinals, New York Jets e o Kansas City Chiefs, que acabou sendo sua escolha. 

 

Um sonho chamado NFL

 

Já dentro da NFL, a disputa agora era com o kicker titular dos Chiefs, Ryan Succop. Nos treinamentos da pré temporada os treinadores testaram os kickers chute a chute durante quatro meses, tudo devidamente anotado em planilhas. Ao final da pré temporada, Cairo recebeu a notícia de que seria titular e se manteria no time, uma vez que ele ainda poderia ser cortado do Kansas City.

 

Cairo completou dois anos como jogador profissional e já coleciona momentos marcantes que ele elencou na palestra. O primeiro momento foi o seu primeiro jogo, que foi contra o Tenesse Titans. A data também é marcante: 7 de setembro. Na partida, Cairo acertou um field goal e errou outro.

 

O segundo momento foi o jogo contra o Denver Broncos, quando viveu um momento difícil errando dois field goals, mas dos erros ele tirou boas lições.

 

Depois veio o seu primeiro Monday Night Football, o horário nobre do esporte na televisão norte-americana. E logo contra o poderoso New England Patriots, de Tom Brady.

 

Depois veio o reconhecimento dos fãs, num jogo contra o San DIego Chargers em que ele fez o field goal da vitória. "Senti que nesse momento me tornei o kicker dos Chiefs".

 

Cairo selecionou também o recorde que ele bateu nessa temporada. No jogo contra o Cincinnati Bengals ele fez 7 field gols, recorde da franquia até aqui. O seu time perdeu, mas Cairo fez todos os 21 pontos dos Chiefs naquela tarde.

 

Ele elencou um momento extra campo como um dos mais marcantes. Foi a comparação que a ESPN fez dele com um dos maiores jogadores da história e ídolo de Cairo, Payton Mannig.

 

E o mais recente feito de Cairo foi chegar aos playoffs. Para ele foi marcante por ter sido perfeito na fase eliminatória. "Acertei todos os field goals e extra points, além de não dar retorno ao adversário nos kick offs, chutando sempre touchbacks".

 

Cairo responde:

 

Depois foi o momento dos fãs realizarem perguntas ao ídolo. Com muito carisma e simpatia, Cairo respondeu perguntas sobre a sua rotina como jogador, sobre os momentos da sua carreira, o futebol americano no Brasil, curiosidades e até mesmo sobre a sua vida amorosa.

 

Quais fãs são mais chatos, do college ou da NFL?

- Da NFL, com certeza. Eles querem que você acerte todos os chutes, se você errar querem você fora. Na universidade não tem muita essa cobrança.

 

Como você vê o crescimento do FA no Brasil

- É incrível o tanto que vem crescendo o futebol americano, inclusive nas transmissões. Está tudo se alinhando para o Brasil estourar como centro do esporte. Se tudo der certo, aqui será realizado o pro bowl em 2017. Está sendo muito legal essa conexão. 

 

Qual o estádio da NFL mais difícil de chutar?

Acho que é o do próprio Chiefs. O jogo mais frio que já joguei foi em casa, aproximadamente -10 graus, e lá venta bastante. O do Baltimore Ravens também é difícil, pois o vento lá é muito variável, muda até mesmo durante o jogo.

 

Quando você entrou na NFL, a mulherada "caiu matando"?

- Não, não... Isso eu não posso responder, a minha mãe está aqui. (risos)

 

Você sofreu algum preconceito por ser brasileiro?

- Não, sofri apenas por ser baixo e por conta do peso. Acharam que eu não aguentaria uma temporada na NFL. Mas nunca por ser brasileiro. Até hoje os americanos me perguntam sobre a cultura brasileira, sempre fui tratado muito bem.

 

Você se espelhou em algum jogador?

- O Vinattieri pois é um dos mais sólidos. Ele venceu um Super Bowl com um chute do lado direito de 48 jardas jogando na neve. Todo treino que eu faço eu chuto da mesma posição, imaginando que com aquele chute eu posso ganhar um jogo. E isso aconteceu em San Diego, um chute da mesma distância e do mesmo lado. 

 

Como é a rotina de treino e nos dia de jogo?

-Jogamos no domingo. Na segunda todos têm folga. Na terça é só musculação e para ver vídeos do jogo passado e do próximo adversário. Quarta e quinta tem treino, onde pratico os chutes. Sexta e sábado são dias de descansar a perna. No sábado são as viagens, ou se o jogo é em casa vamos para a concentração no hotel. Chegamos no estádio 3 horas antes da partida e o aquecimento é 2 horas antes do jogo.

 

Como foi aquele lance que você foi "quarterback" por uma jogada?

- Era um field goal que eu havia acertado, mas tive que repetir pois houve uma falta, recuando 10 jardas. Combinamos a jogada em que eu iria fingir que ia chutar, mas na verdade era pra dar o punt. Mas o long snapper jogou a bola para o holder, que jogou para mim. Peguei a bola e tentei dar o punt, mas já havia um cara em cima de mim. Eu só me livrei da bola, mas ela ainda caiu no colo do meu companheiro. Foi um grande risco que corremos, pois o passe quase foi interceptado, e se isso ocorresse iríamos perder o jogo que estava muito equilibrado.

 

Como você está lidando com o dinheiro que você recebe?

- No contrato que assinamos, nos primeiros três anos como calouro, você não tem nada garantido. Eu só ganho aquela semana, ou seja, 17 pagamentos (16 partidas da temporada regular + uma), e depois não recebe nada até o começo da temporada seguinte. Então você tem que aprender a controlar o dinheiro durante o ano inteiro. Então tenho esse cuidado sempre. 

 

Você se vê como uma "ponte" entra os fãs brasileiros e a NFL?

- Sim, me vejo e quero ser essa ponte. Raramente vejo um torcedor brasileiro torcedor dos Chiefs, mas ouço as pessoas dizerem que torcem por mim, e eu quero retribuir esse carinho e trazer clínicas e jogos para o brasil.

 

Cairo finalizou a palestra sorteado uma camisa e fotos autografadas para as 210 pessoas que compareceram e lotaram o auditório do Colégio Ciman. 

 

 

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